A Escravidão da Vontade

[Por: Martyn Lloyd-Jones]

“…Isso é importante, nesse sentido, que mostra que o homem, em conseqüência do pecado, em conseqüência de ser ele dominado pelo diabo e pelo princípio que este introduziu, e pela mente deste mundo, acha-se em tal estado e condição que ele não pode obedecer a Deus. É isso que o grande Martinho Lutero chamava “escravidão da vontade”. Contudo, para o homem em pecado e para o homem moderno, que doutrina odiosa! “A escravidão da vontade!” A minha vontade é livre, diz o homem. O homem gosta de pensar que é absolutamente livre para escolher o que quiser, que ele pode escolher servir a Deus, se o desejar; que pode escolher ser cristão, se assim for o seu desejo. A afirmação da vontade do homem, do livre-arbítrio, é a ordem do dia. Mas a Bíblia fala em “filhos da desobediência”; e “Vós tendes por pai o diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai” (Jo 8:44). Diz o nosso Senhor que você é incapaz. O homem natural não é sujeito “à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser” (Rm 8:7) – ele é incapaz disso. Desde a queda de Adão, isso de livre-arbítrio, de vontade livre quanto a obedecer a Deus, não existe. Adão tinha livre-arbítrio; nunca mais ninguém o teve. A liberdade de vontade perdeu-se na Queda; nesta o homem passou a ser escravo do pecado e a estar sob o domínio do diabo. Sua vontade está presa. “Se ainda o nosso evangelho está encoberto”, diz o apóstolo aos Coríntios (II Co 4:3 e 4) “para os que se perdem está encobertoNos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos”, para que não creiam no glorioso evangelho de Cristo. O diabo não os deixa crer. “O valente guarda, armado, a sua casa, em segurança” (Lc 11:21 ). Essa é a condição do homem sob o domínio do diabo; ele não é livre. Não é livre para não pecar. “Filhos da desobediência”! “Nem, em verdade, o pode ser”! É incapaz disso. Tal a profundidade em que o homem afundou em pecado. E, contudo, é aí que entra o paradoxo, por assim dizer. Apesar disso, tudo o que o homem faz, ele o faz deliberadamente. Ele quer pecar, gosta de pecar, gloria-se em pecar. Não exerce negativamente a sua vontade para pecar; o que ele não pode fazer é querer o bem positivo, o bem espiritual. É incapaz disso, e aí está porque ele precisa “nascer de novo” e ter nova natureza. Mas ele pode querer o mal, e sente prazer em praticá-lo. O que ele não percebe é que ele se tornou incapaz de querer o bem e de querer alguma coisa que esteja direcionada para a salvação. Ele não é livre para isso. Filhos da desobediência, a prole da desobediência, a progênie da desobediência! Há no universo uma mente má, e nós somos seu fruto. Esse é o ensino bíblico. Acaso não é extraordinário que alguém que tem entendimento nestas questões possa discutir isso por um momento que seja? O mundo atual está simplesmente demonstrando e provando esta verdade. Os homens e as mulheres são escravos do diabo, estão sob a escravidão do diabo; estão sob o poder e domínio de satanás.”…
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Martyn Lloyd-Jones – Reconciliação: Método de Deus, Exposição sobre Efésios 2– Editora PES.
Fonte – Monergismo