A natureza da morte espiritual gerada pelo pecado

[Por: John Owen]

“…Essa morte espiritual é a perda da vida espiritual que nos capacita a viver para Deus. Assim como o corpo não pode viver sem a alma, a alma também não pode viver para Deus sem aquela vida espiritual. Sem ela a alma torna-se moralmente corrupta (Rm 8:7,8; Jo 6:44; Mt 7:18; Mt 12:33; Jr 13:23).

Assim como o corpo só possui a condição passível de receber vida, pois não pode dar vida a si mesmo e levantar-se da morte, assim também a alma só tem a condição passível de receber vida espiritual, pois não possui nenhum poder para regenerar a si mesma da morte espiritual para a vida espiritual.

Exortações, promessas e ameaças da Escritura não nos dizem aquilo que podemos fazer, mas o que devemos fazer. Elas nos mostram o nosso estado de morte espiritual e nossa incapacidade para fazer qualquer bem espiritual. Deus se apraz em fazer dessas exortações e promessas os meios pelos quais podemos receber vida espiritual (Tg 1:18; 1 Pe 1:23).

A incapacidade de viver para Deus decorre do pecado (Rm 5:12). As pessoas não regeneradas têm a condição para fazer algo em direção à regeneração, mas negligenciam isto, pecando assim deliberadamente. Embora não possam viver para Deus, podem, resistir-lhe, e assim o fazem porque a mente depravada deles está alienada da vida de Deus. Os não regenerados optam livre e malignamente por desobedecerem a Deus.

Jesus se queixou: “não quereis vir a mim para terdes vida” (Jo 5:40). Há nessa morte a cessação de todas as atividades vitais. Não regenerados não podem realizar nenhuma atividade vital que se possa chamar de obediência espiritual. A verdadeira obediência espiritual brota da vida de Deus (Ef 4:18). A regra dessa obediência é “as palavras desta Vida” (At 5:20). Onde não existir essa vida de Deus, as obras dos homens serão “obras mortas” (Hb 9:14). São obras mortas porque procedem de um princípio regente de morte (Ef 5:11) e terminam em morte eterna (Tg 1:15).”…
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John Owen – O Espírito Santo – Editora Os Puritanos, p.69-75
Fonte: Os Puritanos