A lei do Sábado

[Por: A. A. Hodge]

“…2. A lei do Sábado, de fato, é também uma ordenança positiva tendo sua base na vontade de Deus como supremo Senhor. Que. uma certa porção de tempo deve ser posta à parte para o culto divino e para a instrução religiosa dos homens é um evidente ditame da razão. Que unia certa porção de tempo deve ser posta à parte para o descanso do labor é pela própria experiência constatado ser, sobre as bases filosóficas e morais, muitíssimo desejável. Que algum monumento da criação do mundo e da ressurreição de Cristo, e que algum tipo permanente e frequentemente recorrente do descanso do céu, seria instituído, é eminentemente desejável ao homem, considerado como um ser religioso. Mas que todos esses fins seriam combinados e assegurados por uma só instituição, e que precisamente todo um dia em sete seria a um só tempo o sétimo e subsequentemente o primeiro dia da semana, é evidentemente uma questão de promulgação positiva, e nos obriga enquanto as indicações da vontade divina sobre a matéria permanece imutável.

O tempo da observância foi transferido do sétimo para o primeiro dia da semana na época dos apóstolos, e consequentemente com a sanção deles; e esse dia, como o “dia do Senhor” (Ap 1:10), tem sido observado no lugar do antigo Sábado, em todas as porções e épocas da Igreja Cristã. Aceitamos essa mudança como nos veio, e cremos estar ela de acordo com a vontade de Deus —

2.1. Por causa de sua origem apostólica;

2.2. Por causa da transcendente importância da ressurreição de Cristo, a qual com isso se associa à criação do mundo por Deus, como o fundamento da religião cristã; e

2.3. Por causa do consenso universal dos cristãos de todas as gerações e denominações, bem como da aprovação do Espírito Santo que neles habita, que está desse modo implícito.

Quanto à observância do Sábado cristão, a regra geral e óbvia é que ele deve ser observado, 

2.3.1. Não no espírito da lei, o que Cristo condena (Mt 12:1; Lc 13:15), mas no santo e livre espírito do evangelho;

2.3.2. Em concordância com os fins para os quais ele foi institu-ído, e que já foram acima enumerados.

Visto que Deus designou o Sábado para ser um dia em sete, devemos consagrar o dia todo, sem restrição ou alienação, para os propósitos designados; isto é, para descansar do labor secular, para o culto divino e para a instrução de nossos semelhantes. Devemos ser diligentes no uso do dia todo para esses propósitos, e para evitar, bem como, quanto depender de nós, levar nossos semelhantes a evitar tudo quanto obstrua o maior proveito na aplicação do dia para seus próprios fins. E não se deve permitir que algo interfira com essa consagração do dia, exceto as evidentes e razoáveis exigências da necessidade no tocante a nossos próprios interesses, e da misericórdia no tocante às necessidades de nossos semelhantes e dos animais dependentes.”…
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A. A. HodgeA Confissão de Fé de Westminster ComentadaCapítulo XXI (Do culto religioso e do dia do descanso), Editora Os Puritanos, pp.383-384