Um mal rei representa a ira de Deus sobre a terra

[Por: João Calvino]

“…A Palavra de Deus, porém, nos conduzirá mais adiante, pois nos fará obedecer, não somente aos príncipes que cumprem o seu dever e mandato, mas a todos os que ocupam uma posição eminente, embora não façam aquilo que sua condição exige. Porque o Senhor declara que os magistrados foram constituídos para a conservação do gênero humano, e, embora lhes imponha limites definidos, declara no entanto que, sendo quem forem, receberam o governo diretamente dele. Assim, agindo em vista do bem público, os governantes são verdadeiros espelhos e exemplares de bondade divina; ao contrário, aqueles que governam injusta e violentamente foram suscitados para castigo do povo; ambos, porém, foram investidos da majestade que é conferida às autoridades legítimas. Não prosseguirei antes de citar algumas passagens da Escritura que confirmam meu dizer. De fato, é fácil mostrar que um mal rei representa a ira de Deus sobre a terra (Jó 34:30; Os 13:11; Is 3:4; Is 10:5); parece-me que isso é aceito por todos, sem contradição. Considerando dessa maneira o assunto não devemos julgar o rei como se fosse um ladrão que rouba nossa fazenda, um adúltero que toma a mulher alheia, um homicida que procura nos exterminar, visto que essas calamidades constam no decálogo das maldições de Deus na Lei (Dt 28:29). É preciso insistir em provar aquilo que dificilmente conseguimos entender: que um homem perverso e indigno esteja investido de toda dignidade e autoridade que o Senhor, em sua Palavra, confere aos ministros da sua justiça; aos súditos compete que tributem à mã autoridade a mesma reverência que rendem a um bom rei.”…
___________________________________________________________________
João Calvino – A Instituição da Religião Cristã, Tomo II, Capítulo XX (Do  Poder Civil)Editora Unesp. p. 897
As Institutas, produzidas pela UNESP e disponibilizadas pelo Google:
TOMO 1
TOMO 2