O Covenanter e o Governo Civil

(Por Rev. Ademir Moreira)

O Covenanter e o Governo Civil

Os Puritanos Escoceses, marcados pelas batalhas reservadas por nosso Senhor para o aperfeiçoamento de Seu Povo, receberam o nome de Covenanters. Este nome se deve ao fato de que reconheciam o dever do Social Covenanting como ordenança do Novo Testamento para todas as nações. Isto implica que o pacto de obediência a que todo cristão, sob sua respectiva igreja visível, está submetido sob o Senhorio de Cristo Jesus, deve crescer e transcender a esfera pessoal e eclesiástica para alcançar a reforma da família e, então, da nação, carregando consigo o abraçar de toda a sã doutrina e verdade. Toda a substância dos símbolos de fé, portanto, todo o sistema de doutrina e piedade, a completa forma de culto reformado e a forma de governo da igreja, o completo e uno conjunto deve mover a Consciência de cada indivíduo regenerado e da comunidade que, por pacto, sob Cristo, eles formam. Este é o inegociável objetivo de santidade para cada um de nós, e para todas as estruturas sociais que emergem daí, portanto, nada menos do que uma nação sob tais exigências pactuais deve satisfazer o cristão. Esta é a herança do ensino que os Covenanters nos legaram e nos expõe pela Escritura. Pura democracia, laicismo, pluralismo religioso – nada disto proverá suficiente paz temporal ao mundo, só a Graça de Deus, governando o coração dos homens nascidos de novo e governando a sociedade sob estes homens pode fazê-lo. Isto não se conquista com conversões forçadas, esquemas carnais, nem com política mundana, nem com acordos profanos. É a ação soberana do Espírito de Deus em nos dar tal povo e tal comunidade, pela pregação do Evangelho, e sob oração fervorosa e constante que pode fazê-lo.

E enquanto isto não acontece? O mínimo que podemos aceitar, enquanto isto não acontece, quanto ao poder do governo é que este exista segundo a sua essência mínima. Não discuto aqui a questão da submissão, que pertence a outro aspecto da doutrina, mas da paz de consciência. É aceitável, antes que a nação conheça o Evangelho, que o governo, segundo sua essência mínima, repouse sob o decreto de Deus como criador, segundo a Lei da natureza que expõe a necessidade de ordem e o surgimento comum de líderes e autoridades. O Governo Mediatório de Cristo sobre todas as nações, como conquista e prerrogativa dEle em Sua Glória, é adicionado a tal aspecto natural, não inerente a ele. Portanto, um Governo descrente, porém submisso à lei natural é uma bênção suficiente até o tempo em que a Igreja, edificada por nosso Senhor, unida como Sociedade e Reino escondido, esteja espiritualmente madura e forte o suficiente para levantar o poderoso brado e clamor que torna as águas em sangue, cessa as chuvas e faz descer fogo purificador dos céus contra muitos Acabes e Jezebéis. A oração dos santos pode muito mais que muitos protestos e revoluções.

Mas será que estamos impedidos de agir por meios físicos e práticos? Não! Um chamado às armas ou uma pressão política podem ter seu tempo e lugar. Porém, é certo que este tempo e lugar não é sob um jugo desigual. Quanto prejuízo sofreram nossos antepassados por confiarem no instável Carlos II? E como não foi imediatamente minada a reforma na França e na Espanha quando, por casamentos e alianças com romanistas tentou-se forjar a paz que é impossível? Jamais pode belial e Jesus partilharem a mesa ou o trono, jamais a Luz e as Trevas poderão tolerar uma à outra. Apoiar uma constituição, manifesto ou levante que sejam imorais, os quais violem aquilo que Deus, em Sua Santa Escritura, estabelece como limite da Lei Moral, é uma violação do Pacto (expresso na Solene Liga e Aliança) que define o ser Covenanter. Jurar ou votar, abertamente ou por implicação, aliança à um poder que o Altíssimo não ordenou, é como posicionar-se a favor de Absalão e contra Davi – o poder que Absalão recebeu do Estado e do Povo não dá a ele o direito ao governo, se Deus, que é o Rei dos Reis, não é o autor deste chamado. Não devemos constituir Reis que o Senhor não constituiu. Poderia justificar minha aliança com Absalão alegando temer a volta da dinastia de Saul? De forma alguma, porque, quando, no tempo definido pelo Senhor, Davi voltar ao seu lugar de direito, não haverá misericórdia para mim. E como orar pela prosperidade do governo daqueles que são inimigos do Culto e da Piedade verdadeiras? Trocar aqueles que nos perseguem e prendem acusando-nos de intolerância religiosa ou preconceito de gênero, por aqueles que nos perseguirão e prenderão por não podermos, de consciência limpa, dizer “Pátria Amada, Idolatrada, Salve!”, servirá de alguma coisa para o bem do Reino de Deus?

Não se pode negociar a Verdade. Quem não é por nós (e defende a Covenanted Reformation e as duas tábuas da Lei), é contra nós. Quem não ajunta, espalha.
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Fonte: Igreja Puritana Reformada no Brasil